Nunca escrevo sem motivo. Gosto de clichês e muitos deles estão presentes em cada texto meu, mas prefiro coisas que surpreendam. Não gosto de assuntos aleatórios, gosto de escrever o que sinto naquele instante. Não imagino situações e nem sentimentos. Sou inconstante e ainda assim consigo ser a mesma pessoa de dez anos atrás.

Em cada publicação aqui, você vai encontrar frases em que defendo firmemente a necessidade e a importância de mudar. Eu acredito nisso. Mas sou desconfiada para qualquer coisa nova que aconteça, estou sempre com um pezinho atrás, apegada ao passado, ao que já se foi há tempos. Talvez seja isso que busco em cada texto: aprender a desapegar, a seguir em frente. Lição difícil essa. Cresci acreditando que o passado não deve ser esquecido.

Não consigo continuar escrevendo quando acho que o texto deve terminar naquele parágrafo, mesmo sabendo que está incompleto. Isso me lembra de um dos livros queridinhos do John Green, onde a personagem principal é apaixonada por um livro que acaba no meio de uma frase. Na minha primeira leitura não vi sentido nisso, mas quando escrevo percebo que faz muito sentido. Talvez não dá forma como o autor quis passar, mas percebo que somos cheios de momentos incompletos, de lembranças inacabadas. Assim como um texto: você pode imaginar o final perfeito, mas se você sentir que deve termina-lo antes, não o maltrate acrescentando palavras que já não fazem mais sentido.