Alguns livros são capazes de nos inspirar, de tocar o nosso coração da forma mais profunda e sincera. Livros que nos levam para um novo mundo, onde podemos sentir junto com cada personagem. Livros assim são mágicos.

"Guerreiros da Esperança" foi a melhor surpresa dentre os livros que eu comprei na Bienal deste ano. Não conhecia o autor, não conhecia a história, mas me encantei pelo título e resolvi arriscar. Agora posso dizer que está entre os melhores livros que já tive a oportunidade de ler.

É na ilha Belitung, na Indonésia, que a história acontece. Os nativos da ilha vivem na extrema pobreza, sem direitos e esquecidos pelo governo. Ao mesmo tempo, Belitung possuí uma grande quantidade de recursos naturais. O estanho é o que garante a riqueza e o poder do governo.

Ainda assim, dez crianças, que sonham com um futuro melhor, começam a frequentar a escola da aldeia. Elas sabiam das dificuldades que enfrentariam. Várias gerações de suas famílias não tiveram a chance de estudar, desde cedo eram obrigadas a trabalhar para ajudar no sustento da casa. Quando já nascem na miséria, sonhar com uma vida diferente é um grande desafio.


Tentando garantir a seus alunos o direito à educação, a jovem professora Bu Mus e o diretor Pak Harfan lutam para manter a escola funcionando. O estado da escola era deplorável, com isso vinham as constantes ameaças do superintendente escolar que estava disposto a fechar a escola.

Em um lugar onde falta tudo, nenhuma criança deixou de ir à escola. Bus Mus e Pak Harfan conquistaram o carinho de cada um e os inspiraram. Foram adquirindo autoconfiança e a vontade pelo conhecimento. Assim deu início ao grupo Laskar Pelangi, os Guerreiros do Arco-íris.

Eu sempre ouvia dizer que as crianças reclamavam de ter que ir à aula. Nunca entendi aquilo, porque, apesar da aparência miserável de nossa escola, nos apaixonamos por ela desde o primeiro dia. Bu Mus e Pak Harfan fizeram com que a amássemos e, mais que isso, fizeram com que amássemos o conhecimento. Quando a aula acabava, reclamávamos de ter que ir embora. Quando nos davam dez deveres de casa, pedíamos vinte. Quando chegava o domingo, nosso dia de folga, mal conseguíamos esperar pela segunda-feira.

Durante os capítulos o leitor é apresentado à vida de cada aluno: Trapani, Kucai, Sahara, Syahdan, Harun, Lintang, Mahar, Birek, A Kiong, Ikal e mais tarde Flo. Com exceção de Flo, todos precisam conviver com a extrema pobreza, mas ao descobrirem o melhor de cada um e o poder pelo conhecimento. Irão lutar pela escola e conquistar feitos inéditos.



Não quero contar muito mais que isso. O livro todo é cheio de surpresas e histórias tristes. Apesar de ser classificada como ficção, a história é verdadeira. A realidade de várias famílias espalhadas pelo mundo pode ser encontrada nas páginas deste livro e o autor sobre retratá-las de um jeito muito bonito.

É impossível não sentir revolta com a miséria que enfrentam, com as ameaças de pessoas ricas contra a escola da aldeia, a falta de recurso até mesmo para que possam garantir a educação das onze crianças. É um livro que vai lhe ensinar a valorizar as pequenas conquistas e a amizade.

No entanto, quando pegava o livro, sua mente fugia pelas fendas das periclitantes paredes de casca de árvore. Estudar era o lazer que fazia com que o menino se esquecesse das agruras da vida. Para ele, os livros eram como água de um poço sagrado na mesquita de Meca, renovando suas energias para pedalar contra o vento todos os dias. Mergulhava em cada frase que lia. Era seduzido pela escrita eloquente dos acadêmicos. Reconhecia o significado oculto em fórmulas que outros não registravam.

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Nota da blogueira: Lintang é um herói para uma vida. Se você pretende ler este livro, preste bastante atenção na história de vida desse garoto. Da mesma forma que ele inspirou seus amigos na escola da aldeia, ele também irá ganhar o seu coração.