Como falar com um viúvo (Jonathan Tropper)


Ando numa fase de comprar livros que não são lançamentos, livros que não estão na moda e que você não vê resenhas de uma só vez em todos os blogs. Então fui para Bienal esse ano pensando nisso. Quase todos os livros que comprei não foram publicados neste ano, mesmo assim são livros que me encantaram do começo ao fim.

"Como falar com um viúvo" foi uma leitura engraçada e surpreendente. O autor soube criar uma história leve e envolvente.

Eu tinha uma esposa, seu nome era Hailey. Agora ela se foi e eu também.

Há um ano, Doug perdeu a esposa em um acidente de avião. Desde então ele afundou-se em uma vida de autopiedade. Não saí de casa e passa a maior parte dos dias bebendo. Para ele voltar a ser feliz seria não dar importância ao que Hailey representava em sua vida. Ele não quer esquecê-la.

Você quer seguir em frente, mas para isso é preciso deixá-la para trás, e você não quer deixá-la para trás, por isso não segue em frente.



Junto a sua imensa dor, Doug precisa lidar com Russ, seu enteado nervoso e autodestrutivo. Além da sua irmã gêmea Clarie, que está disposta a devolver a felicidade para a vida Doug.

Após um ano desde o acidente, Doug mantém tudo a sua volta como se Hailey tivesse acabado de sair de casa. O sutiã que ela deixou na maçaneta do banheiro continua lá e o livro que estava lendo continua na mesinha do lado dela da cama. Tudo o que Doug faz é sobreviver a cada dia, sentindo a dor de tê-la perdido.

Quando Clarie decide divorciar-se do marido e descobre que está grávida, vai morar com Doug e com isso, ele será obrigado a deixar o luto de lado para ter a sua vida de volta, incluindo na sua lista novos encontros românticos.

De forma engraçada e até mesmo inusitada, o trabalho de Doug é escrever uma coluna sobre como falar com um viúvo. Nela ele tenta e explicar o quanto sente a ausência de sua esposa e o vazio que tomou conta dos seus dias.

Perdi alguma coisa quando Hailey morreu. Não sei direito como chamar isso, mas trata-se do mecanismo que nos impede de dizer a verdade quando alguém nos pergunta como estamos, aquela válvula vital que mantém as nossas emoções mais profundas e genuínas debaixo de tranca e cadeado. Não sei exatamente quando perdi essa capacidade, ou como poderei recuperá-la, mas por enquanto, no que diz respeito a tato, civilidade e descrição, sou um acidente prestes a acontecer, vez após vez.


Não se engane, apesar do tema, o livro não se prende apenas ao clichê. Tudo é novo e cada personagem ganha uma história incrível. Como o pai de Doug, que após um AVC, passa a maior parte do tempo sem saber o que acontece a sua volta e sem reconhecer a família. Até suas irmãs, Russ e sua mãe, uma ex-atriz de teatro, dão a história um brilho a mais.

É um livro muito bem escrito, sem focar apenas na vida perfeita de um bom casamento e trazendo ao leitor a realidade.




12 comentários:

  1. Toooooooooooop!
    Adorei a resenha, nunca tinha nem escutado falar do livro (obrigada!).
    Fora que o título super chama a atenção *-*

    Um beijo!

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  2. Que resenha massa !!
    O livro me chamou muita atenção: a capa, a sinopse, a sua resenha. Já tá na minha lista de livro pra ler !


    http://www.ohpreta.com/

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  3. Esse livro estava em promoção na Americanas por 10 reais. Quase comprei, mas acabei deixando porque achei que ia ser muito pesado e também porque o tema não tem muito a ver comigo. Acho que julguei errado kkk
    Se eu encontrar ele outra vez, vou dar mais uma chance

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    1. Paguei isso por ele na Bienal e valeu muito a pena! Mas eu quase fiz a mesma coisa haha.

      Beijos

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  4. Olá, adorei a resenha!
    Eu tenho esse livro desde o ano passado, comprei em uma promoção maluca por R$2,00, porém, até hoje não tirei do plástico e não sabia absolutamente nada sobre a história. A sua resenha me deixou bem intrigada e com vontade de começar a leitura, acho que vou tentar ler ainda esse ano. Parece ser uma história tocante e que dará para tirar vários ensinamentos para a vida.

    http://sonhandoatravesdepalavras.blogspot.com.br

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    1. Menina do céu, queria ter visto essa promoção haha.
      Leia sim, flor. Você vai gostar muito do livro!

      Beijos

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  5. Oi! Tudo bem? Não conhecia esse livro, e achei bem bacana a premissa, o título me chamou bastante a atenção. Eu queria conseguir ler os lançamentos desse ano, mas não consigo é muito livro bom pra pouco tempo. Mas confesso que livros que não estão muito na "moda" andam me chamando bastante a atenção. Adorei sua resenha, e vou colocar esse livro na minha lista, talvez consiga compra-lo na Black Friday

    Beijos

    http://www.entrelinhaseparagrafos.com.br/

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    1. Ah, quanto mais eu acompanho os lançamentos, mais a minha lista aumenta. Foi por isso que resolvi deixar um pouco de lado haha.

      Beijos

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  6. Oi, tudo bem, Michelly?
    Bom, eu sou a Cris do 'Muito Agri, Quase Doce' e vim retribuir a visita ao meu canto.
    Gostei muito do seu blog e mais ainda das indicações de livros.
    Esse sua moda de comprar livros sem serem lançamentos é algo que mostra o nível da/o bookaholic. No começo, compramos lançamentos. Depois, compramos os que não lançaram no ano. Com o tempo vamos apurando os hábitos e os tornamos cada vez mais personalizados.
    Eu, por exemplo, parei de comprar um livro pela capa (às vezes, eu dou uma escorregada e cometo este "pecado") e compro apenas os que considero meus favoritos (a lista é imensa e aumenta a cada ano! rs). Foi uma ótima decisão porque eu gosto de livro físico e não conseguia ler todos os que comprava (minha conta bancária também agradeceu).
    E, agora, tem este "Como Falar com um Viúvo". Gostei da indicação e em breve vou lê-lo, pode apostar!

    No mais, volto em breve para outra visita.

    Abração pra ti, Michelly!

    Até mais!

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    1. Também faço isso as vezes. Não dá para evitar de se encantar com a capa de um livro não é? Nem sempre dá para evitar haha. Acho que foi por isso que comprei este... Por ser tão simples me chamou a atenção!

      Beijos

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